O novo colaborador está deslocado?
Feedback: você não dá e não acredita?

Se feedback é tão bom, por que não é praticado como deveria?

Quando a comunicação dentro da cultura empresarial do seu negócio não é direta e voltada para o desempenho vem perigo: a rádio peão toma conta, as pessoas interpretem comportamentos e ações do seu modo e dentro do mapa mental delas. Aumentam fofocas e conflitos. Cria-se a sensação de que você líder, empresário ou diretor, não é bom o bastante, não percebe estar dando resultados e consequentemente virá a desmotivação e insatisfação, que impactam diretamente na produtividade.

Uma das maneiras de ter uma comunicação direta é através do feedback. Feedback nada mais é do que a troca de observações entre o gestor e colaborador sobre o desempenho no trabalho. Fazer retornos sistemáticos sobre os resultados e desempenho no trabalho, ajuda os colaboradores a se tornarem conscientes do seu próprio desempenho, seja abaixo das expectativas ou acima do esperado.

O feedback tem se mostrado como uma das ferramentas de gestão mais potentes para levar as pessoas a mudanças de comportamento duradouras, compatíveis com as necessidades e velocidade exigida pelo mercado. É a maneira de realinharmos a rota para alcançarmos os objetivos e orientarmos aos novos comportamentos.

Em uma pesquisa da escritora Simone Missel, publicada no livro Feedback Corporativo (2012), os líderes trouxeram as 5 maiores dificuldades para o feedback:
1ª – Espero uma boa oportunidade para falar e depois esqueço (52%);
2ª – Acho que vou magoar (47,9%);
3º – Não quero criar atritos (44,8%);
4º – Deixo para falar depois e acabo esquecendo (27,1%);
5º – Quando faço críticas fico agressivo (19,9%).

Vamos olhar cada dificuldade as analisando, percebendo como podem ser contornadas! Acredito que isto ajudará você a desmistificar algumas crenças que podem estar interferindo.

“Espero uma boa oportunidade para falar e depois esqueço”

O que seria uma boa oportunidade? Pode ser relacionada a fatores muito diversos como o humor do líder, o humor do liderado, tempo, sala de reuniões desocupada entre outros. Esperar uma boa oportunidade é correr o risco de nunca fazer! Aqui a dica é: não espere por uma boa oportunidade. Crie a oportunidade! Não fique avaliando o ambiente e achando justificativas. O adequado é que o feedback possa ser dado próximo ao motivo ou evento, para não perder o sentido. A única exceção é quando falamos do feedback formal que faz parte do cronograma do RH, que cada empresa deve ter estabelecido.

“Acho que vou magoar” e “Não quero criar atritos”

Considere que pensando assim você mesmo estará levando o feedback para o lado pessoal! Se você estiver dando feedback orientado para a situação profissional não correrá este risco. Acredite, não é sobre você ou sobre seu colaborador, o feedback é sobre o desempenho no trabalho! Não caia na armadilha de ficar com tom pessoal, pois é preciso falar de competências no trabalho e não de atitudes e comportamentos pessoais.

“Deixo para falar depois e acabo esquecendo”

Isto compromete muito a eficácia da ferramenta, pois quanto tempo é este depois? Um dia? Dois? Ou será que acaba ficando um mês? Aqui sua postura como gestor pode ser muito reativa deixando para falar com o colaborador quando a coisa já pegou fogo. Defina na sua agenda o tempo para feedbacks e saiba que alguns deles podem ser sua prioridade, se desejar realmente fazer um papel proativo.

“Quando faço críticas fico agressivo”

Mais uma vez reforço que este tipo de comentário é daquele líder que procura fechar os olhos e deixa tudo passar, até quando a coisa estoura. Aí é causa efeito, você entra no meio do incêndio para dar um feedback armado de críticas e com sentimento de raiva, não conseguindo controlar as emoções, podendo tornar suas falas pessoais e punitivas. Feedback é feedback e bronca é bronca, não confunda! Então perceba se não está deixando o tempo de feedback passar.

Para contornar as dificuldades acima o gestor pode seguir este roteiro prático:

1 – Faça a oportunidade e não espere por uma! Dependendo o que aconteceu não dá para esperar, se tiver que deixar para mais tarde o faça próximo ao evento e anote para não esquecer. Sendo para dar um feedback positivo ou de melhoria!
2 – Nunca dê o tom pessoal aqui. Feedback é sobre desempenho e competências no trabalho. Não comece se desculpando com negativas do tipo ”não quero que você fique com raiva ou magoado..”
3 – Descreva apenas um comportamento, expresse o que isto está causando.
4 – Discuta soluções e estabeleça um acordo mútuo.

Comece a fazer feedbacks orientado por estas dicas e você terá ótimos retornos. Acredite, faça o teste e depois compartilhe comigo!

Um abraço!